O movimento ali, ali aonde ? ali olha!



Domingo dia 15 de novembro, 18h30min sentada na calçada debaixo da arvore esperando o ônibus chegar comecei a observar um movimento na esquina bem a minha frente. O sol estava muito forte ainda apesar do horário.

Vários homens sentados naquela esquina e um garoto que no mínimo tinha uns dezessete anos, no inicio pensei que era só uma roda de amigos, mas algo estava estranho, todos que passaram por ali cumprimentavam ou paravam rápido e trocavam apenas duas palavras e continuavam a diante.
Um carro preto pára e o cara que estava dirigindo faz o numero dois com os dedos e em seguida um dos homens se levanta e vai até ele, naquele momento percebi que não era apenas uma roda de amigos e sim um ponto de drogas.
Não vou falar que fiquei chocada, pois já havia visto uma cena parecida na televisão, mas ao vivo a sensação é bem diferente.
Logo em seguida que o carro preto sai a policia passou, pude sentir da onde eu estava à tensão que eles ficaram, mas adivinha o que aconteceu, nada. A policia me parecia preocupada com outras coisas naquele momento, não parou apenas seguiu em frente e o movimento naquela esquina continuou.
Enquanto o ônibus não chegava continuei observando aquilo é como se fosse, em câmera lenta, tudo estava em câmera lenta, uns iam, outros voltavam e a rua estava movimentada. Um senhor passa com seu filho que no mínimo tinha uns três anos de idade entre os homens na esquina, naquele momento consegui imaginar um carro surgindo e atirando naquelas pessoas e o menino com seu pai sendo atingidos (ainda bem que isso não aconteceu, seria muita ironia), mas tive essa sensação.
Por vários minutos fiquei ali sentada e sem fazer absolutamente nada, percebi que conhecia um deles, mas ele não faz isso ou faz? Estou confusa agora.
Parei de observar porque eles começaram a me observar, sei lá se eles pensaram que eu queria droga, se estava filmando ou simplesmente se me acharam bonita (sou super modesta), mas tive medo.
Quase vinte minutos depois o ônibus chegou e fui era como se o ônibus fosse um local de fuga daquilo, na medida em que ele se afastava aquele mundo sumia diante dos meus olhos, fiquei aliviada, mas continue pensando aquilo o resto da noite inteira.
Queria eu ter sempre um ônibus que livrasse meus olhos das ciladas, ou melhor, da realidade, pensando nisso lembro-me de uma musica da banda Tribo de Jah: “... O que os olhos não vêem, mas o coração sente, andei distante jamais ausente em silêncio profundo eu peço sempre por você...”
Mesmo não vendo aquela cena meu coração continuou sentindo aquela sensação.

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